Sempre que vejo o quanto as pessoas se preocupam em cuidar do corpo, seja frequentando academias, modificando a alimentação ou investindo em tratamentos estéticos, eu me pergunto: será que elas cuidam da mente com o mesmo afinco? Será que vão à terapia, meditam, se dedicam à escrita terapêutica, ou qualquer outra atividade voltada para a cura mental?

Infelizmente, a resposta usual é ‘não tanto assim’. É curioso que, ao mesmo tempo, talvez nenhuma dessas pessoas negue que uma mente saudável colaborará para a saúde do corpo, nem que seja pelo simples fato de que precisamos de determinação e força de vontade para fazer exercícios e nos alimentarmos bem. Sabem que stress e outras irritações prejudicam o funcionamento dos órgãos, causando doenças; que a falta de sono pode levar a diversas alterações físicas; e o quanto estar em paz e tranquilidade favorece o desempenho nas mais diversas áreas da vida.

Mesmo assim, grande parte das pessoas só pensa em cuidar da mente quando está em uma situação insuportável, como depois de uma crise de pânico. Isso é o equivalente a deixar de comer gordura e passar a fazer exercícios somente depois de um enfarto. De fato, muita gente se comporta assim, nos dois casos, mas a reação de quem está em volta costuma ser bem diferente.

Os transtornos da mente ainda são vistos como misteriosos, indecifráveis, algo que a pessoa devia ter resolvido por conta própria, quase uma falha de caráter. Muitas vezes, perguntam, falando baixinho: “nossa, que estranho, o que será que ela fez para ter crises de pânico?”. Simples: nasceu em um mundo caótico e instável, voltado à correria, competição e individualismo, com o qual tem que lidar enquanto carrega dúvidas, cobranças, questões internas e traumas, como todo ser humano. Sim, todas as pessoas estão sujeitas a momentos de instabilidade, ainda que muitas prefiram fingir que está tudo bem.

Diferente do colesterol no sangue, porém, você não pode fazer um exame e constatar que “seu índice de pânico está acima da média de referência”. Não dá para medir ansiedade, tristeza ou autocobrança com números. Muito menos felicidade, tranquilidade, foco.

Nosso mundo de números e estatísticas tira a importância daquilo que não pode ser medido, como se não existisse. É por isso que as questões mentais são colocadas de lado, enquanto a parte física é supervalorizada. Sabemos quantos quilos perdemos ao mudar a alimentação, vemos no espelho a diferença, enquanto os avanços da mente e do comportamento parecem muito difíceis de confirmar. Isso sem contar o preconceito e o medo de ser chamado de louco.

Porém, o que meus pacientes e amigos que buscam uma terapia frequentemente descobrem é que sim, dá para sentir a diferença. Não tem como medi-la em números, mas na quantidade de ações, comportamentos conscientes, problemas resolvidos, medos abandonados, relacionamentos mais saudáveis.

Mente e corpo não devem ser dissociados. Devemos nos preocupar com nosso ser por completo para alcançar vidas mais plenas.

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